quinta-feira, 26 de março de 2026

Equilíbrio Sempre - Emmanuel



 Equilíbrio Sempre 

Emmanuel

E - Cap. XXIV - Item 7


Todos somos chamados, de vez em vez, a administrar a verdade, aqui e ali, entretanto, a verdade, no fundo, é conhecimento e conhecimento solicita dosagem para servir.


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Necessário instituir a civilização, entre os companheiros ainda empenachados na selva.


Para isso, não começaremos por trazê-los à discussão, em torno da relatividade, mas também, a pretexto de angariar lhes a confiança, não nos cabe exalçar a antropofagia que nos caracterizava os avós.


Indispensável estender instrução à criança.


Não encetaremos, porém, semelhante trabalho, sentando-a num anfiteatro, destinado ao ensino superior, mas também, sob a alegação de conquistar-lhe o interesse, ao lhe permitiremos um bisturi nas mãos frágeis.


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Contemplando a paisagem na qual se estruturou a organização da Doutrina Espírita, com a serenidade de quem examina um quadro admirável, após a formação de todas as minudências que o integram, reconhecemos a superioridade dos espíritos sábios e magnânimos que orientaram a Codificação do Espiritismo, estudando-lhes a presença na obra de Allan Kardec.


Eles induzem o inesquecível missionário à observação das mesas girantes e à pesquisa dos fenômenos magnéticos, entretanto, em momento algum, fogem de salientar as finalidades morais do intercâmbio entre encarnados e desencarnados.


Permitem-lhe aceitar o apoio de amigos prestigiosos para o rápido lançamento dos volumes que lhe competia editar, em tempo reduzido, todavia, em tópico nenhum, arrastam o ensinamento espírita às inclinações e paixões de natureza política.


Concordam em que se recorra a certas imagens da teologia em voga, contudo, em nenhum lugar, preconiza ritualismo e superstição, em nome da fé.


Inspiram-lhe carinhoso respeito e profunda gratidão por todos os médiuns que lhe prestaram concurso, no entanto, a título de auxiliá-los ou de garantir-lhes a subsistência, não endossam qualquer aprovação à mediunidade remunerada.


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Todos encontramos aqueles que se valem das nossas possibilidades de informação e esclarecimento, no tocante às verdades dos espíritos, entretanto, para agir acertadamente, recordemos o exemplo dos instrutores da Vida Maior, nos primeiros dias do Espiritismo.


Tolerar acessórios, sem transigir com o essencial.


Dosear a verdade, sem estimular a mentira.


Amparar o bem sem encorajar o mal.


Compreensão nobre, mas equilíbrio, sempre.


XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo ditado pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz .  Opinião espírita. Cap. 34 p. 55,56 .Imagem Reproduzida da Internet.

 


quarta-feira, 25 de março de 2026

Santidade De Superfície - André Luiz



Santidade De Superfície

André Luiz

E - Cap. XVIII - Item 9


Muitos companheiros da convicção espírita costumam afirmar que:


Estão imbuídos de fé ardente, mas os inquisidores do passado que acendiam fogueiras pela imposição do "crê ou morre" também a possuíam;


Cultivam ilimitada cautela para não tombarem no erro, mas todos os religiosos que desertam da luta humana alegam prevenção contra o pecado para fugirem das obrigações sociais;


Adotam a tolerância invariável para com tudo, de modo a estarem completamente bem com todos, mas ao que nos parece, a História indica que o iniciador do comodismo perfeito, na edificação cristã, foi Pilatos, o juiz, que preferiu não examinar a grandeza de Jesus, a fim de não ter, nem sofrer problemas;


Agem unicamente sob o móvel das boas intenções e que, por isso mesmo, não concordam com disciplina de método na prestação da caridade, mas todos os que complicam as vidas alheias, a pretexto de fazerem o bem, na hora do desastre, asseveram chorando que se achavam impelidos pelos mais puros intentos;


Obedecem apenas aos impulsos do coração, mas os penitenciários, quando inquiridos sobre a motivação das faltas que o fizeram cair na criminalidade, esclarecem, de modo geral, que atenderam tão-só aos ditames do sentimento;


Consideram, de maneira exclusiva, o burilamento do cérebro, mas do ponto de vista da inteligência hipertrofiada no orgulho, todos os promotores de guerra, formaram e ainda formam entre as cabeças mais cultas da Humanidade;


Os companheiros da seara espírita, no entanto, sabem com Allan Kardec que o espírita é chamado a usar confiança e zelo, indulgência e bondade, pensamento e emoção, aliando equilíbrio e fé raciocinada, na base da reforma íntima, com serviço incessante aos outros.


Por esse motivo, efetuando a própria libertação dos semelhantes das cadeias mentais forjadas na Terra em nome da santidade de superfície, o espírita verdadeiro é conhecido por seu devotamento ao bem de todas as criaturas, e pela coragem com que dá testemunho da sua transformação moral.

 André Luiz


XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo ditado pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz .  Opinião espírita. Cap. 33 p. 54 .Imagem Reproduzida da Internet.

domingo, 22 de março de 2026

Tolerância e Coerência - Emmanuel

 


 Tolerância E Coerência

Emmanuel

E - Cap. X - Item 21


Compreender e desculpar sempre, porque todos necessitamos de compreensão e desculpa, nas horas do desacerto, mas observar a coerência para que os diques da tolerância não se esbarrondem, corroídos pela displicência sistemática, patrocinando a desordem.


Disse Jesus: "amai os vossos inimigos".


E o Senhor ensinou-nos realmente a amá-los, através dos seus próprios exemplos de humildade sem servilismo e de lealdade sem arrogância.


Ele sabia que Judas, o discípulo incauto, bandeava-se, pouco a pouco, para a esfera dos adversários que lhe combatiam a mensagem renovadora...


A pretexto de amar os inimigos, ser-lhe-ia lícito afastá-lo da pequena comunidade, a fim de preservá-la, mas preferiu estender-lhe mãos fraternas, até a última crise de deserção, ensinando-nos o dever de auxiliar aos companheiros de tarefa, na prática do bem, enquanto isso se nos torne possível.


Não ignorava que os supervisores do Sinédrio lhe tramavam a perda...


A pretexto de amar os inimigos, poderia solicitar-lhes encontros cordiais para a discussão de política doméstica, promovendo recuos e concessões, de maneira a poupar complicações aos próprios amigos, mas preferiu suportar-lhes a perseguição gratuita, ensinando-nos que não se deve contender, em matéria de orientação espiritual, com pessoas cultas e conscientes, plenamente informadas, quanto às obrigações que a responsabilidade do conhecimento superior lhes preceitua.


***

Certificara-se de que Pilatos, o juiz dúbio, agia, inconsiderado...


A pretexto de amar os inimigos, não lhe seria difícil recorrer à justiça de instância mais elevada, mas preferiu aguentar-lhe a sentença iníqua, ensinando-nos que a atitude de todos aqueles que procuram sinceramente a verdade não comporta evasivas.


Percebia, no sacrifício supremo, que a multidão se desvairava...


A pretexto de amar os inimigos, era perfeitamente cabível que alegasse a extensão dos serviços prestados, pedindo a comiseração pública, a fim de que se lhe não golpeasse a obra nascente, mas preferiu silencia e partir, invocando o perdão da Providencia Divina para os próprios verdugos, ensinando-nos que é preciso abençoar os que nos firam e orar por eles, sem, contudo, premiar-lhes a leviandade para que a leviandade não alegue crescimento com o nosso apoio.


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Jesus entendeu a todos, beneficiou a todos, socorreu a todos e esclareceu a todos, demonstrando-nos que a caridade, expressando amor puro, é semelhante ao sol que abraça a todos, mas não transigiu com o mal.


Isso quer dizer que fora da caridade não há tolerância sem coerência.

 

XAVIER, Francisco Cândido; VIEIRA, Waldo ditado pelos Espíritos Emmanuel e André Luiz .  Opinião espírita. Cap. 31 p. 52,53 .Imagem Reproduzida da Internet.